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Bíblia e EscrituraINTERMEDIÁRIO

Por que a Bíblia Católica tem mais livros que a Protestante?

Resposta curta

A Bíblia Católica inclui 7 livros a mais no Antigo Testamento (os chamados 'deuterocanônicos') porque segue o cânon usado pelos judeus de língua grega e pelos primeiros cristãos (a Septuaginta), confirmado pela Igreja no Concílio de Trento. As Bíblias protestantes seguem o cânon hebraico mais restrito, fixado por rabinos depois do início do cristianismo.

Resposta completa

A diferença está em sete livros do Antigo Testamento — Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico (Sirácida) e Baruc — além de alguns trechos adicionais de Ester e Daniel, presentes nas Bíblias católicas e ortodoxas, mas ausentes nas Bíblias protestantes. Eles são chamados de deuterocanônicos (“do segundo cânon”, reconhecidos um pouco mais tarde na história, mas plenamente canônicos) pelos católicos, e de “apócrifos” pelos protestantes.

A raiz histórica está em qual coleção de textos judaicos cada tradição adotou. No tempo de Jesus e dos apóstolos, existiam duas grandes coleções: o cânon hebraico mais restrito (usado na Palestina) e a Septuaginta, tradução grega do Antigo Testamento usada pelos judeus de fala grega da diáspora — que incluía esses livros adicionais, escritos originalmente em grego ou preservados só em grego. Os autores do Novo Testamento, escrevendo em grego, citam o Antigo Testamento majoritariamente a partir da Septuaginta, e os primeiros cristãos, em sua maioria de origem grega, adotaram naturalmente essa coleção mais ampla.

O cânon hebraico mais restrito só foi formalmente fixado por rabinos judeus depois da destruição do Templo de Jerusalém (70 d.C.) e da separação definitiva entre judaísmo e cristianismo — ou seja, depois que a Igreja já vinha usando a coleção mais ampla há décadas. Concílios regionais antigos, como Roma (382) e Hipona (393), já testemunham o uso desse cânon mais amplo pela Igreja.

Na Reforma Protestante do século XVI, Martinho Lutero optou por seguir o cânon hebraico mais restrito para o Antigo Testamento, alegando maior proximidade com o texto original judaico — decisão também influenciada pelo fato de 2 Macabeus conter uma passagem (12,44-46) usada como apoio bíblico à doutrina católica das orações pelos mortos e do Purgatório, que os reformadores rejeitavam. Em resposta, o Concílio de Trento (1546) definiu solenemente e de forma definitiva o cânon católico completo, incluindo os deuterocanônicos, como parte da Revelação recebida pela Igreja.

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Fontes citadas

Concílio de Trento, Sessão IV (1546) — o cânon das EscriturasCatecismo da Igreja Católica §120Concílio de Roma (382) e Concílio de Hipona (393) — testemunhos antigos do cânon

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