Quais são os sete dons do Espírito Santo, e pra que servem?
São sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus — disposições permanentes que o Espírito Santo derrama na alma para tornar o cristão dócil às suas inspirações. Não são talentos naturais nem "poderes" avulsos: aperfeiçoam as virtudes já recebidas no Batismo, plenificadas na Crisma.
Resposta completa
A lista tradicional dos sete dons vem de uma profecia messiânica de Isaías sobre o rebento que brotaria da raiz de Jessé: “repousará sobre ele o Espírito do Senhor, espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de temor do Senhor” (Is 11,2). A tradição cristã, seguindo a versão grega e latina desse texto, desdobrou o “temor do Senhor” em dois — piedade e temor de Deus —, chegando ao número de sete. Esses dons pertencem, antes de tudo e em plenitude, ao próprio Cristo, e são comunicados ao cristão pelo Espírito Santo.
Diferente de talentos naturais (como jeito para música ou para falar em público), os dons do Espírito Santo são disposições permanentes e sobrenaturais que tornam a pessoa mais receptiva, mais “dócil”, às inspirações de Deus — daí Santo Tomás de Aquino comparar os dons a velas que captam o vento do Espírito, complementando o remo das virtudes (o esforço humano de agir bem). A sabedoria dá gosto pelas coisas de Deus; o entendimento aprofunda a compreensão da fé; o conselho ajuda a discernir o que fazer em situações concretas; a fortaleza dá coragem para perseverar diante de dificuldades; a ciência permite ver a criação e os acontecimentos à luz de Deus; a piedade move à filial confiança e afeto por Deus e pelo próximo; e o temor de Deus é o respeito reverente diante de sua grandeza — não medo servil, mas o oposto da presunção.
Os sete dons são recebidos plenamente no Batismo e “fortalecidos e aprofundados” no sacramento da Crisma (ou Confirmação), que por isso é chamado o sacramento que “confirma” e amadurece a vida do Espírito já iniciada. Por isso a Igreja associa tradicionalmente a novena que antecede a Crisma justamente à invocação de cada um desses dons, um por dia.
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Fontes citadas
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A Crisma, ou Confirmação, é o sacramento que confirma e fortalece a graça já recebida no Batismo, comunicando de modo pleno os dons do Espírito Santo. Não repete nem substitui o Batismo, mas o completa: assim como no Batismo o cristão nasce para a vida nova em Cristo, na Confirmação ele recebe força especial para testemunhar e viver essa fé com maturidade, unindo-se mais estreitamente à Igreja e à sua missão.
Sim — a Igreja rejeita tanto a ideia de que nos salvamos "sozinhos", por mérito puramente humano, quanto a ideia de que a graça anula nossa liberdade. A graça de Deus não substitui a liberdade humana: ela a cura, a fortalece e a capacita a cooperar livremente com a salvação que só Deus pode dar.
Sim: a presciência divina não é como uma previsão humana no tempo, mas o conhecimento de um Deus que vive fora do tempo e vê toda a história — passado, presente e futuro — de uma só vez, num "eterno presente". Deus conhecer livremente o que escolheremos não é a mesma coisa que forçar essa escolha.