O que são indulgências?
Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal já perdoada quanto à culpa — não é 'perdão de pecado' nem, muito menos, algo que se compra. A venda de indulgências foi um abuso histórico condenado pela própria Igreja; a doutrina correta está ligada a obras de oração, caridade e conversão sincera.
Resposta completa
Poucos temas católicos são tão mal compreendidos — inclusive por causa da própria história da Igreja. É essencial separar a doutrina da prática abusiva que marcou parte da Idade Média e o início do século XVI.
O que a doutrina realmente ensina: mesmo depois de um pecado ser perdoado (a culpa é removida na confissão), pode restar uma “pena temporal” — uma espécie de consequência ou apego ao pecado que ainda precisa ser purificado, seja nesta vida através de penitência, seja depois, no Purgatório. Uma indulgência é a remissão dessa pena temporal, concedida pela Igreja com base nos méritos infinitos de Cristo e dos santos (o chamado “tesouro da Igreja”), associada a certas orações, obras de caridade ou peregrinações, sempre exigindo verdadeira conversão interior — nunca é automática nem “compra” um perdão.
O abuso histórico: no fim da Idade Média, alguns pregadores — o caso mais famoso é o frade dominicano Johann Tetzel, na Alemanha do início do século XVI — associaram indulgências a doações em dinheiro de forma que sugeria, na prática, “comprar” a saída de um parente do Purgatório. Esse abuso, ligado ao financiamento da construção da Basílica de São Pedro, foi um dos estopins da Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero em 1517.
A resposta da própria Igreja: o Concílio de Trento (1563) condenou expressamente “todo lucro vergonhoso” ligado às indulgências e ordenou a abolição de tais abusos. Séculos depois, o Papa Paulo VI reformou e simplificou toda a disciplina das indulgências na constituição Indulgentiarum Doctrina (1967), reafirmando que elas dependem de conversão sincera e obras de caridade — nunca de pagamento.
Hoje, indulgências plenárias ou parciais são concedidas, por exemplo, pela leitura orante da Bíblia, visitas a certos santuários em datas específicas, ou obras de caridade feitas com espírito de penitência — sempre unidas à confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Papa.
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Purgatório é o estado (não um 'lugar' físico, nem um segundo inferno) de purificação final para quem morre em graça de Deus, mas ainda não está totalmente purificado das consequências do pecado. Não é uma 'segunda chance' de salvação — é para quem já está salvo, mas precisa de purificação antes de entrar na plena comunhão do Céu.
Católicos também podem (e devem) pedir perdão a Deus diretamente, a qualquer momento. A confissão ao padre é um sacramento à parte, instituído por Jesus, que dá a certeza sensível do perdão através de um sinal concreto e reconcilia também com a Igreja, a comunidade que o pecado sempre fere de algum modo.
Acídia (do grego akedia, "falta de cuidado") é bem mais que preguiça física: é um tédio ou tristeza espiritual diante do próprio bem que Deus oferece, levando à negligência da vida de oração e dos deveres do amor. É um dos sete pecados capitais reconhecidos pela tradição católica, com raízes na experiência dos monges do deserto do século IV.