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Pecado e RedençãoINTERMEDIÁRIO

Por que a Igreja diz que o sofrimento pode ter sentido, e não é só algo a evitar?

Resposta curta

A Igreja não ensina que o sofrimento seja bom em si mesmo, nem pede que ele seja buscado por si só — mas ensina que, unido livremente ao sofrimento de Cristo na cruz, o sofrimento humano pode se tornar fecundo, participando misteriosamente da obra da redenção, em vez de ser apenas uma perda sem sentido.

Resposta completa

A afirmação mais surpreendente do Novo Testamento sobre o sofrimento talvez seja de São Paulo: “completo em minha carne o que falta às tribulações de Cristo, em favor do seu Corpo, que é a Igreja” (Cl 1,24). Isso não significa que a obra redentora de Cristo seja incompleta ou insuficiente — é plena e definitiva — mas que Cristo, livremente, quis associar os cristãos à sua própria obra de salvação, inclusive através do sofrimento vivido com fé.

São João Paulo II dedicou a carta apostólica “Salvifici Doloris” (1984) inteiramente a esse tema, escrevendo a partir de sua própria experiência com sofrimento físico. Ele insiste que a Igreja não glorifica a dor nem pede que ninguém a busque — ao contrário, a Igreja sempre trabalhou para aliviar o sofrimento humano (hospitais, obras de caridade). Mas quando o sofrimento chega, inevitável, ele não precisa ser “desperdiçado”: pode ser oferecido, unido à cruz de Cristo, por alguma intenção — pela conversão de alguém, pela paz no mundo, pelas almas do purgatório.

Isso transforma radicalmente a experiência de quem sofre: de vítima passiva de algo absurdo, para colaborador ativo, mesmo que misterioso, na obra da salvação. Não é uma explicação filosófica completa do “porquê” do sofrimento, mas uma resposta concreta sobre “o que fazer” com ele, quando ele chega.

Leitura recomendada
Capa do livro O Sentido Cristão do Sofrimento Humano (Salvifici Doloris)
O Sentido Cristão do Sofrimento Humano (Salvifici Doloris)

São João Paulo II

Carta apostólica inteiramente dedicada ao sentido cristão do sofrimento, escrita a partir da própria experiência do Papa com a dor física — aprofunda, na voz do magistério, a base doutrinária citada nesta dúvida.

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Fontes citadas

São João Paulo II, Salvifici Doloris, carta apostólica, 1984Catecismo da Igreja Católica §1521📖 Colossenses 1:24

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