São João Damasceno
Convinha que a arca da santificação repousasse no tesouro do Rei
Monge de Mar Saba, Doutor da Igreja (c. 675–749) · Segunda Homilia sobre a Dormição da Virgem Maria (cf. Homilia II in Dormitionem Beatae Virginis Mariae)
"João Damasceno canta que era conveniente que aquela que gerou a Vida em seu ventre fosse ela mesma levada à plenitude da vida; que o corpo que guardou o próprio Deus em seu seio não conhecesse a corrupção do túmulo, mas fosse transportado à glória celeste junto de seu Filho."
João Damasceno, um dos últimos grandes representantes da era patrística no Oriente, é autor de três homilias sobre a Dormição da Virgem Maria, pregadas provavelmente no santuário de Getsêmani, associado desde a antiguidade à memória de sua morte. Nelas, ele reúne e sistematiza uma convicção de fé já antiga e amplamente celebrada na liturgia oriental e ocidental: assim como Maria foi preservada de todo pecado desde sua concepção, também seu corpo — que por nove meses abrigou o próprio Filho de Deus — não conheceria a corrupção do sepulcro, mas seria assunto à glória celeste.
Ainda que o Evangelho lido hoje narre um episódio anterior na vida de Maria — sua visita a Isabel, ocasião do cântico do Magnificat —, a ligação com o mistério da Assunção é direta: já ali, no início do relato lucano, Isabel a proclama “bem-aventurada entre as mulheres” e reconhece nela a presença do próprio Senhor. Para Damasceno, a mesma lógica de honra singular que atravessa toda a vida de Maria — desde a saudação de Isabel até o Calvário — encontra em sua Assunção o coroamento definitivo: quem esteve unida a Cristo de modo único durante a vida terrena, não seria separada dele nem mesmo diante da morte.
Fontes: Catecismo da Igreja Católica §966, sobre a Assunção de Maria em corpo e alma à glória celeste · São João Damasceno, Homiliae in Dormitionem, Patrologia Graeca 96