Pular para o conteúdo
Voltar para Orações
Séc. V-VI · credo latino de autoria incerta, tradicionalmente atribuído a Santo Atanásio

Símbolo Atanasiano (Quicumque)

Conhecido pela primeira palavra do texto latino, "Quicumque [vult]"

Todo aquele que quer salvar-se deve, antes de tudo, professar a fé católica. Fé que, se alguém não guardar íntegra e inviolada, sem dúvida perecerá para sempre. A fé católica é esta: que veneremos um só Deus na Trindade, e a Trindade na unidade. Sem confundir as pessoas, nem separar a substância. Pois uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo. Mas do Pai, do Filho e do Espírito Santo há uma só divindade, igual glória, coeterna majestade.

Divisão em partes

"Todo aquele que quer salvar-se deve, antes de tudo, professar a fé católica"
Explicação

Abre afirmando que a reta fé sobre Deus não é um detalhe acadêmico, mas está ligada ao próprio sentido da salvação cristã.

Contexto bíblico

João 17,3: "a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, que enviaste".

Significado teológico

Reflete a convicção patrística de que conhecer corretamente quem é Deus (ortodoxia) e viver de acordo com essa verdade estão intimamente ligados.

"Que veneremos um só Deus na Trindade, e a Trindade na unidade, sem confundir as pessoas, nem separar a substância"
Explicação

Formula o núcleo do dogma trinitário com precisão quase matemática: unidade de substância, distinção real de pessoas.

Contexto bíblico

2 Coríntios 13,13: a bênção final paulina já nomeia lado a lado "a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo".

Significado teológico

É exatamente a fórmula que o Concílio de Niceia (contra o arianismo) e os debates posteriores (contra o sabelianismo, que confundia as pessoas) buscaram fixar com precisão.

"Uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo — mas uma só divindade, igual glória, coeterna majestade"
Explicação

Nega tanto que as três pessoas sejam a mesma coisa (modalismo) quanto que sejam três deuses (triteísmo) ou desiguais entre si (subordinacionismo, como no arianismo).

Contexto bíblico

João 1,1: "o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" — já no início do quarto Evangelho, a igualdade divina do Filho está afirmada.

Significado teológico

"Coeterna majestade" é decisiva contra qualquer leitura que veja o Filho ou o Espírito Santo como posteriores ou inferiores ao Pai.

Contexto histórico

Apesar do nome tradicional, a pesquisa histórica moderna considera muito improvável que Santo Atanásio (que escrevia em grego, não em latim) seja o autor real deste texto — provavelmente composto na Gália, entre os séculos V e VI, refletindo a teologia trinitária e cristológica já consolidada depois dos Concílios de Niceia (325), Constantinopla (381) e Éfeso/Calcedônia (431/451). Foi amplamente rezado no Ofício Divino ocidental ao longo da Idade Média, e continua sendo um dos três grandes credos históricos da tradição cristã latina, ao lado do Símbolo dos Apóstolos e do Niceno-Constantinopolitano.

Significado espiritual

Diferente dos outros dois credos, mais narrativos, o Atanasiano é quase um tratado dogmático versificado — repete, formula e reformula a mesma verdade central sob vários ângulos, como quem sabe que a distinção entre pessoa e substância na Trindade é fácil de errar por excesso (confundir as pessoas) ou por defeito (separar a substância). Rezá-lo é um exercício de precisão teológica orante, não apenas devocional.

Recursos complementares

Catecismo da Igreja Católica §266 — a fórmula "uma só natureza, três pessoas"📖 Mateus 28,19 — a fórmula batismal trinitária "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"

Tema relacionado