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Hino latino antigo, tradicionalmente associado a Santo Ambrósio e Santo Agostinho

Te Deum (Te Deus Louvamos)

Hino de ação de graças; cf. tradição atribuída também a Nicetas de Remesiana (séc. IV)

Vós sois Deus: nós vos louvamos. Vós sois o Senhor: nós vos aclamamos. Vós sois o Eterno Pai: todo o universo vos adora. Os anjos todos, os céus e todas as potestades, os querubins e serafins vos cantam sem cessar: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus do universo! Os céus e a terra proclamam a vossa glória. Vós sois aclamado pelo glorioso coro dos apóstolos, pela falange venerável dos profetas, pelo batalhão resplandecente dos mártires. E toda a Igreja, espalhada pelo mundo, vos proclama: Pai de imensa majestade, Filho único e verdadeiro, digno de adoração, Espírito Santo, defensor. Vós sois o Rei da glória, ó Cristo! Vós sois o Filho eterno do Pai. Para libertar o homem, vos fizestes homem e não recusastes o seio de uma Virgem. Vós vencestes o aguilhão da morte e abristes aos crentes o Reino dos céus. Estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai. Cremos que um dia voltareis como Juiz. Nós vos rogamos: ajudai vossos servos, que resgatastes com vosso sangue precioso. Fazei que sejamos contados entre os vossos santos, na glória eterna.

Divisão em partes

"Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus do universo! Os céus e a terra proclamam a vossa glória"
Explicação

Retoma quase literalmente a visão profética de Isaías no Templo e o cântico eterno dos seres celestiais diante do trono de Deus.

Contexto bíblico

"Santo, Santo, Santo é o Senhor dos exércitos; a terra inteira está cheia da sua glória" (Isaías 6:3); cf. Apocalipse 4:8.

Significado teológico

É o mesmo "Sanctus" cantado em toda Missa antes da Consagração (Catecismo §2642), unindo a liturgia terrena ao louvor perpétuo dos céus.

"Para libertar o homem, vos fizestes homem e não recusastes o seio de uma Virgem"
Explicação

Confessa diretamente o mistério da Encarnação: o Filho eterno de Deus assumindo verdadeira natureza humana no ventre de Maria, para a salvação da humanidade.

Contexto bíblico

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (João 1:14).

Significado teológico

Expressa a fé definida em Éfeso e Calcedônia sobre a Encarnação redentora do Verbo (Catecismo §461-463).

"Vós vencestes o aguilhão da morte e abristes aos crentes o Reino dos céus"
Explicação

Celebra a vitória de Cristo sobre a morte na ressurreição, que abre aos que creem o acesso à vida eterna.

Contexto bíblico

"Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?" (1 Coríntios 15:55).

Significado teológico

Reflete a esperança cristã da ressurreição e da vida eterna, fundada na própria ressurreição de Cristo (Catecismo §1002).

Contexto histórico

A autoria exata do Te Deum é incerta. Uma antiga e piedosa lenda, sem base histórica firme, atribui sua composição a Santo Ambrósio e Santo Agostinho, que o teriam improvisado juntos, verso a verso, no momento do batismo de Agostinho em Milão (387) — por isso é chamado também de "Hino Ambrosiano". A investigação hinológica moderna considera mais provável que o texto, na forma em que o conhecemos, tenha sido composto ou compilado por Nicetas de Remesiana, bispo na região dos Balcãs no final do século IV, embora essa atribuição também não seja unânime entre os especialistas. O que é certo é sua enorme antiguidade e seu uso contínuo na liturgia latina desde, pelo menos, o século VI.

Significado espiritual

É o grande hino latino de ação de graças solene da tradição católica, cantado no Ofício de Leitura de domingos e solenidades, e tradicionalmente entoado em ocasiões de particular júbilo — canonizações, elevação de um novo Papa, encerramento do ano civil, celebrações nacionais de gratidão. Sua estrutura percorre toda a economia da salvação: louvor à Trindade, aclamação de anjos, apóstolos, profetas e mártires, confissão da Encarnação e Redenção, e súplica final por misericórdia e perseverança até a glória eterna.

Recursos complementares

Hino litúrgico latino, uso atestado desde ao menos o século VILiturgia das Horas — Ofício de Leitura de domingos e solenidades📖 Isaías 6:3 e Apocalipse 4:8 — o cântico do 'Santo, Santo, Santo'