Terço das Sete Dores de Nossa Senhora
Também chamado Coroazinha das Sete Dores ou Rosário Servita
1ª Dor: a profecia de Simeão — "Uma espada trespassará também a tua própria alma." 2ª Dor: a fuga para o Egito, na perseguição de Herodes. 3ª Dor: a perda do Menino Jesus no Templo, por três dias. 4ª Dor: o encontro de Maria com Jesus a caminho do Calvário. 5ª Dor: Maria de pé junto à cruz, na morte de seu Filho. 6ª Dor: Maria recebe nos braços o corpo de Jesus, descido da cruz. 7ª Dor: Jesus é depositado no sepulcro, e Maria se retira sozinha.
Divisão em partes
"1ª Dor: a profecia de Simeão — "Uma espada trespassará também a tua própria alma""
A primeira dor já anuncia, no momento da Apresentação do Menino no Templo, todo o sofrimento futuro de Maria ligado à missão redentora de seu Filho.
Lucas 2,34-35: o próprio texto de onde vem esta primeira dor, dita por Simeão a Maria.
A tradição lê essa "espada" não como um sofrimento isolado, mas como símbolo de toda a participação de Maria na obra da salvação, do Presépio ao Calvário.
"5ª Dor: Maria de pé junto à cruz, na morte de seu Filho"
O ponto central e mais intenso das sete dores — Maria não desmaiada, mas "de pé" (stabat), termo que também dá nome ao hino Stabat Mater sobre a mesma cena.
João 19,25: "estavam, junto à cruz de Jesus, sua mãe..." — o único relato evangélico direto da presença de Maria no Calvário.
A presença ativa e consciente de Maria junto à cruz é lida pela tradição como cooperação real, embora subordinada, na obra redentora de Cristo — nunca como fonte da salvação, que vem só dele.
"7ª Dor: Jesus é depositado no sepulcro, e Maria se retira sozinha"
A última dor não termina num gesto grandioso, mas no silêncio da espera — Maria, sem ainda saber da Ressurreição, guarda a fé em meio à perda mais radical.
Lucas 2,19: "Maria, porém, guardava todas essas coisas, meditando-as em seu coração" — atitude que a tradição estende a todo o itinerário de Maria, inclusive este momento final.
A tradição espiritual vê nesse silêncio de Maria, entre a sexta-feira e o domingo de Páscoa, um modelo de fé que persevera mesmo sem sinais visíveis de esperança.
Contexto histórico
Nasceu no século XIV entre os frades Servitas (Ordem dos Servos de Maria, fundada em Florença em 1233), como meditação sobre sete momentos de sofrimento de Maria ligados à vida de Jesus, do nascimento à sepultura. Estruturalmente é composto por sete grupos de orações (tradicionalmente um Pai-Nosso e sete Ave-Marias por dor, recordando os anos de vida de Maria em algumas versões), rezados diante de cada uma das sete dores. A devoção foi reconhecida pela Santa Sé com indulgências ao longo dos séculos e permanece viva sobretudo entre os Servitas.
Significado espiritual
Diferente do Terço mariano tradicional, centrado nos mistérios alegres, dolorosos, gloriosos e luminosos da vida de Cristo, este terço olha especificamente para Maria como quem sofre — não como espectadora distante da Paixão, mas como mãe que participa dela desde a infância do Filho até seu sepultamento. É uma escola de compaixão ("sofrer com") mariana.