Maria é 'Mãe de Deus' ou 'mãe de Jesus'? Por quê?
A Igreja chama Maria de 'Mãe de Deus' (Theotokos, 'a que gerou Deus') não porque ela seja origem da divindade de Jesus, mas porque o filho que ela gerou é uma só Pessoa divina — Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Negar o título é, na prática, dividir Jesus em duas pessoas.
Resposta completa
O título “Mãe de Deus” (em grego, Theotokos, literalmente “a que gerou Deus”) foi definido dogmaticamente pelo Concílio de Éfeso, em 431, contra um bispo chamado Nestório, que preferia chamar Maria apenas de “Mãe de Cristo” (Christotokos) — separando, na prática, a humanidade e a divindade de Jesus como se fossem duas pessoas ligadas, e não uma só.
A lógica da Igreja é simples de entender uma vez explicada: Maria não gerou uma “natureza divina” abstrata — ninguém pode gerar uma natureza. Ela gerou uma Pessoa: Jesus Cristo. E essa Pessoa, desde sempre, é uma só — divina, a segunda Pessoa da Trindade, que assumiu também uma natureza humana na Encarnação. Como só existe uma Pessoa em Jesus, e essa Pessoa é Deus, quem gerou essa Pessoa gerou, sim, Deus feito homem — sem que isso signifique que Maria seja a origem eterna da divindade de Cristo, que já existia antes dela, desde toda a eternidade.
Recusar o título “Mãe de Deus” e usar apenas “mãe de Jesus” pode até parecer mais modesto, mas teologicamente cria o risco de sugerir que “Jesus homem” e “Cristo Deus” são duas realidades separadas — exatamente o erro (nestorianismo) que o Concílio de Éfeso condenou.
A própria Escritura já continha essa intuição antes da definição formal do concílio: quando Isabel recebe Maria grávida, ela exclama, cheia do Espírito Santo: “de onde me vem que a mãe do meu Senhor me visite?” (Lc 1,43) — chamando o filho que Maria carregava de “meu Senhor”, título reservado a Deus no Antigo Testamento.
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A Igreja ensina que Maria permaneceu virgem antes, durante e depois do nascimento de Jesus — um dogma chamado 'virgindade perpétua'. Os 'irmãos de Jesus' citados na Bíblia são entendidos, na tradição católica, como parentes próximos (primos ou parentes em sentido amplo), uso comum na língua e cultura semítica da época.
A Imaculada Conceição é o dogma de que Maria foi concebida sem a mancha do pecado original, desde o primeiro instante de sua existência, por um privilégio único concedido por Deus em vista dos méritos futuros de Cristo. Não se refere ao nascimento de Jesus, mas à própria concepção de Maria no ventre de sua mãe.
A Igreja Católica crê em um único Deus que existe em três Pessoas distintas — Pai, Filho e Espírito Santo — cada uma plenamente Deus, sem serem três deuses nem três partes de um só Deus. É o mistério central da fé cristã, que a razão humana não deduz sozinha, mas recebe por revelação.