O que é a Septuaginta e por que ela importa para o cânon bíblico católico?
A Septuaginta é a tradução grega do Antigo Testamento, feita por judeus em Alexandria a partir do século III a.C., que incluía os sete livros ("deuterocanônicos") que hoje diferenciam a Bíblia católica da protestante. Foi essa versão, e não uma lista hebraica posterior mais restrita, que os primeiros cristãos, incluindo os próprios apóstolos, mais usavam ao citar o Antigo Testamento.
Resposta completa
Entre os séculos III e I a.C., a comunidade judaica de Alexandria (Egito), já falando grego mais do que hebraico no dia a dia, traduziu as Escrituras hebraicas para o grego — obra tradicionalmente chamada Septuaginta (“dos setenta”, em referência à lenda de setenta ou setenta e dois tradutores). Essa coleção incluía não só os livros que hoje formam a Bíblia hebraica (e o Antigo Testamento protestante), mas também mais sete livros escritos originalmente em grego ou preservados só em grego: Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico (Sirácida) e Baruc, além de acréscimos a Ester e Daniel.
Quando o Novo Testamento cita o Antigo Testamento (o que faz centenas de vezes), na grande maioria dos casos está citando exatamente a Septuaginta, não uma versão hebraica alternativa — sinal de que essa era a Bíblia efetivamente usada pelos primeiros cristãos, incluindo os apóstolos.
Só no final do século I d.C., já depois da destruição do Templo de Jerusalém, rabinos judeus reunidos (tradicionalmente associados a um “Concílio de Jâmnia”, hoje debatido pelos historiadores) fixaram um cânon hebraico mais restrito, sem os sete livros só preservados em grego — cânon que os reformadores protestantes do século XVI adotaram para o Antigo Testamento, em vez da tradição da Septuaginta seguida pela Igreja desde o início. O Concílio de Trento (1546) confirmou solenemente o cânon mais amplo, já usado havia séculos pela Igreja.
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A Bíblia Católica inclui 7 livros a mais no Antigo Testamento (os chamados 'deuterocanônicos') porque segue o cânon usado pelos judeus de língua grega e pelos primeiros cristãos (a Septuaginta), confirmado pela Igreja no Concílio de Trento. As Bíblias protestantes seguem o cânon hebraico mais restrito, fixado por rabinos depois do início do cristianismo.
Não — pelo contrário, o Concílio Vaticano II pediu explicitamente que todos os fiéis tenham 'fácil acesso' à Sagrada Escritura e a leiam com frequência. A ideia de uma 'proibição' vem de restrições históricas pontuais, específicas de certos contextos (como traduções não aprovadas em meio a conflitos religiosos), não de uma regra geral e permanente contra a leitura bíblica.
A Igreja ensina que anjos e demônios são pessoas espirituais reais, não meros símbolos literários — criaturas puramente espirituais, dotadas de inteligência e vontade, criadas por Deus. Os demônios são anjos que, usando sua liberdade, rejeitaram Deus de forma definitiva.