Alma de Cristo (Anima Christi)
Atribuição incerta; difundida por Santo Inácio de Loyola nos Exercícios Espirituais (séc. XVI)
Anima Christi, sanctifica me. Corpus Christi, salva me. Sanguis Christi, inebria me. Aqua lateris Christi, lava me. Passio Christi, conforta me. O bone Iesu, exaudi me. Intra tua vulnera absconde me. Ne permittas me separari a te. Ab hoste maligno defende me. In hora mortis meae voca me. Et iube me venire ad te, ut cum Sanctis tuis laudem te in saecula saeculorum. Amen.
Alma de Cristo, santificai-me. Corpo de Cristo, salvai-me. Sangue de Cristo, inebriai-me. Água do lado de Cristo, lavai-me. Paixão de Cristo, confortai-me. Ó bom Jesus, ouvi-me. Dentro de vossas chagas, escondei-me. Não permitais que me separe de Vós. Do maligno inimigo, defendei-me. Na hora da minha morte, chamai-me. E mandai-me ir para Vós, para que, com os vossos Santos, vos louve por todos os séculos dos séculos. Amém.
Divisão em partes
"Alma de Cristo, santificai-me. Corpo de Cristo, salvai-me. Sangue de Cristo, inebriai-me"
Invoca sucessivamente a alma, o corpo e o sangue de Cristo, presentes de modo real na Eucaristia, como fonte direta de santificação para quem reza.
"Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele" (João 6:56).
Pressupõe a fé na presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento (Catecismo §1374), recebida não apenas como alimento, mas como princípio de transformação interior.
"Dentro de vossas chagas, escondei-me. Não permitais que me separe de Vós"
Pede refúgio dentro das próprias feridas de Cristo — imagem de intimidade total com sua Paixão — e a graça de nunca se afastar dele.
"Nem morte, nem vida... poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Romanos 8:38-39).
Reflete a devoção às chagas de Cristo como fonte de graça e proteção espiritual (Catecismo §618, sobre o valor redentor do sofrimento de Cristo unido ao dos fiéis).
"Na hora da minha morte, chamai-me. E mandai-me ir para Vós"
Conclusão da oração: um pedido explícito por uma morte em comunhão com Cristo, e pela entrada na glória junto aos santos.
"Bem-aventurados os mortos que morrem no Senhor... para que descansem de seus trabalhos" (Apocalipse 14:13).
Expressa o pedido pela perseverança final e por uma "boa morte", temas centrais da piedade cristã diante da própria mortalidade (Catecismo §1020-1022).
Contexto histórico
As raízes desta oração são anteriores a Santo Inácio de Loyola: os manuscritos mais antigos conhecidos datam do início do século XIV, e sua autoria original permanece desconhecida — apesar de ser popularmente associada ao nome de Inácio, ele não a escreveu, apenas a colocou como oração de abertura dos seus "Exercícios Espirituais" (1548), o que contribuiu decisivamente para sua difusão em todo o mundo católico. Ao longo dos séculos, tornou-se também uma oração comum de ação de graças após a Comunhão e de preparação para a Adoração Eucarística.
Significado espiritual
A estrutura é uma litania breve, invocando sucessivamente diferentes aspectos da Paixão e da Eucaristia — alma, corpo, sangue, água do lado, chagas — como fontes de santificação e refúgio pessoal. A oração termina com um pedido de perseverança até a morte e de participação eterna na glória dos santos, tornando-a especialmente usada como oração de preparação para uma morte cristã.