Rorate Caeli (Destilai, ó céus)
Baseado em Isaías 45,8 e outras passagens de Isaías; cantado como Introito das Missas votivas de Advento ("Missas da Rorate")
Rorate caeli desuper, et nubes pluant iustum; aperiatur terra, et germinet Salvatorem. Ne irascaris Domine, ne ultra memineris iniquitatis: ecce civitas Sancti facta est deserta: Sion deserta facta est: Ierusalem desolata est: domus sanctificationis tuae et gloriae tuae, ubi laudaverunt te patres nostri. Rorate caeli desuper, et nubes pluant iustum; aperiatur terra, et germinet Salvatorem.
Destilai, ó céus, do alto, e as nuvens chovam o Justo; abra-se a terra, e brote o Salvador. Não vos ireis, Senhor, não vos lembreis mais da iniquidade: eis que a cidade do Santuário se fez deserta, Sião se fez deserta, Jerusalém está desolada, a casa da vossa santificação e da vossa glória, onde vos louvaram nossos pais. Destilai, ó céus, do alto, e as nuvens chovam o Justo; abra-se a terra, e brote o Salvador.
Divisão em partes
"Destilai, ó céus, do alto, e as nuvens chovam o Justo; abra-se a terra, e brote o Salvador"
O refrão, repetido no início e no fim, pede que o próprio céu "chova" o Salvador — imagem de que a salvação vem inteiramente de Deus, não de um esforço humano de baixo para cima.
Isaías 45,8 (Vulgata): "Roráte, caeli, désuper, et nubes pluant iustum: aperiátur terra, et gérminet Salvatórem".
Retoma a imagem profética do Messias como "fruto" que a terra dá quando fecundada pelo dom celeste, central à espiritualidade litúrgica do Advento (Catecismo §524).
"Não vos ireis, Senhor, não vos lembreis mais da iniquidade"
A estrofe central muda de tom: da imagem serena da chuva para uma súplica direta pelo perdão, reconhecendo que a "desolação" de Jerusalém é também consequência do pecado do povo.
Isaías 64,9: "não te encolerizes demais, ó Senhor, nem te lembres para sempre da iniquidade".
Une intimamente a espera messiânica à conversão — o Advento não é só expectativa, mas também tempo de reconhecer o pecado que a vinda do Salvador vem curar.
Contexto histórico
Conhecido simplesmente como "Rorate", pela primeira palavra do refrão, este cântico de origem gregoriana (compilado a partir de versículos de Isaías, sobretudo 45,8) deu nome às tradicionais "Missas da Rorate" — celebradas de madrugada, à luz de velas, em muitos lugares durante o Advento, especialmente nas últimas semanas antes do Natal. O refrão retoma quase literalmente a Vulgata de Isaías 45,8, e a estrofe usada aqui parafraseia Isaías 64,9-11, lamento pela desolação de Jerusalém que serve de pano de fundo para a súplica pela vinda do Messias. cf. o cântico permanece em uso em diversas tradições litúrgicas e paralitúrgicas do Advento até hoje, embora não faça parte do atual Missal Romano ordinário pós-conciliar como texto obrigatório.
Significado espiritual
Todo o cântico é uma súplica pela vinda do Salvador, construída sobre a imagem agrícola do orvalho e da chuva que fazem a terra "brotar" — a justiça e a salvação não são conquistas humanas, mas um dom que desce do alto, como a chuva sobre a terra sedenta. É por isso o cântico mais característico da espiritualidade de espera do Advento.