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Séc. XIII · Hino Eucarístico

Panis Angelicus

Santo Tomás de Aquino, do hino "Sacris Solemniis" (1264), popularizado musicalmente por César Franck (1872)

O pão dos anjos se faz pão dos homens; o pão celeste dá fim às figuras: ó coisa admirável! Come o Senhor o pobre, o servo e o humilde. A vós, trina e una Divindade, suplicamos: visitai-nos assim como vos veneramos; por vossos caminhos conduzi-nos aonde vamos, à luz em que habitais.

Divisão em partes

"O pão dos anjos se faz pão dos homens"
Explicação

Compara o alimento espiritual dos anjos (a contemplação direta de Deus) ao "pão" que os homens recebem na Eucaristia.

Contexto bíblico

Salmo 78(77),25: "o homem comeu o pão dos anjos" — versículo que inspirou diretamente esta imagem.

Significado teológico

Sugere que, na Eucaristia, os seres humanos já participam, de modo velado, da mesma comunhão com Deus que os anjos gozam plenamente no céu.

"Ó coisa admirável! Come o Senhor o pobre, o servo e o humilde"
Explicação

Celebra o assombro de que a Eucaristia esteja disponível igualmente a qualquer pessoa, sem distinção social.

Contexto bíblico

Gálatas 3,28: "não há judeu nem grego, escravo nem livre... pois todos vós sois um em Cristo Jesus".

Significado teológico

Reflete a igualdade radical diante da graça: riqueza ou posição social nada acrescentam ao dom eucarístico.

"A vós, trina e una Divindade, suplicamos: visitai-nos... conduzi-nos... à luz em que habitais"
Explicação

Termina como oração pessoal: pede que a mesma presença recebida na Eucaristia guie o crente até a visão eterna de Deus.

Contexto bíblico

1Coríntios 13,12: "agora vemos como em espelho, de modo obscuro, mas então veremos face a face".

Significado teológico

Liga explicitamente a Eucaristia terrena à contemplação celeste, como antecipação real, não apenas símbolo, da vida eterna.

Contexto histórico

Também penúltima e última estrofes de um hino de Santo Tomás de Aquino para Corpus Christi (1264), "Sacris Solemniis". Ganhou fama mundial em 1872, quando o compositor César Franck musicou apenas essas duas estrofes finais como peça independente — hoje a versão mais executada em concertos e celebrações solenes, muitas vezes sem que se saiba de sua origem litúrgica medieval.

Significado espiritual

Contempla o assombro ("ó coisa admirável!") de que o mesmo "pão dos anjos" — a visão beatífica de Deus, alimento espiritual dos anjos no céu — se torne alimento acessível também ao "pobre, servo e humilde" aqui na terra, sem distinção de mérito ou classe social.

Recursos complementares

Catecismo da Igreja Católica §1373-1375 — a presença real de Cristo na Eucaristia