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Antífona mariana medieval, cantada desde o séc. XII — substitui o Angelus no Tempo Pascal

Regina Coeli (Rainha do Céu)

Uma das quatro antífonas marianas finais da Liturgia das Horas (autor não identificado com certeza)

Rainha do Céu, alegrai-vos, aleluia, porque Aquele que merecestes trazer em vosso seio, aleluia, ressuscitou, como disse, aleluia. Rogai a Deus por nós, aleluia. Exultai e alegrai-vos, ó Virgem Maria, aleluia, porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia. Oremos: Ó Deus, que pela ressurreição de vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, quisestes alegrar o mundo, concedei-nos, por intercessão de Maria, Virgem, chegar às alegrias da vida eterna. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.

Divisão em partes

"Rainha do Céu, alegrai-vos, aleluia, porque Aquele que merecestes trazer em vosso seio... ressuscitou"
Explicação

O convite à alegria de Maria está diretamente ligado ao fato da Ressurreição de seu Filho — não é uma alegria genérica, mas pascal.

Contexto bíblico

Ecoa a saudação do anjo Gabriel — "Alegra-te" (Lc 1,28) — agora cumprida em sua plenitude com a vitória pascal de Cristo.

Significado teológico

Reconhece Maria como Theotókos, Mãe de Deus (Concílio de Éfeso, 431), cuja alegria materna participa do mistério central da fé cristã.

"Exultai e alegrai-vos, ó Virgem Maria, porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente"
Explicação

Reafirma, com ênfase ("verdadeiramente"), a realidade histórica da Ressurreição — não uma metáfora, mas um fato central da fé.

Contexto bíblico

"Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé" (1 Coríntios 15:14).

Significado teológico

Contra qualquer leitura meramente simbólica da Ressurreição, a Igreja sempre professou sua realidade histórica e corporal (Catecismo §639-644).

"Concedei-nos, por intercessão de Maria, Virgem, chegar às alegrias da vida eterna"
Explicação

A oração final transforma a alegria pascal de Maria em pedido concreto: que os fiéis, com sua intercessão, alcancem a mesma alegria definitiva.

Contexto bíblico

"Onde eu estou, esteja também o meu servo" (João 12:26) — a promessa da vida eterna à qual Maria, primeira discípula, já chegou.

Significado teológico

Reflete o papel de Maria como intercessora que conduz os fiéis à plenitude da vida em Cristo, sem nunca substituir sua única mediação (1 Tm 2,5).

Contexto histórico

O Regina Coeli é uma das quatro antífonas marianas que encerram a Liturgia das Horas ao longo do ano litúrgico (as outras são Alma Redemptoris Mater, Ave Regina Caelorum e Salve Rainha). Seu autor não é conhecido com certeza — a tradição a associa a comunidades monásticas, sobretudo franciscanas, já no século XII, embora versões mais completas só apareçam consolidadas nos séculos seguintes. Substitui o Angelus durante todo o Tempo Pascal (da Vigília Pascal até Pentecostes), sendo rezado ou cantado pelos papas na Praça de São Pedro ao meio-dia dos domingos desse período, no lugar do Angelus habitual.

Significado espiritual

Enquanto o Angelus celebra a Encarnação ("o Verbo se fez carne"), o Regina Coeli celebra a Ressurreição — e por isso é marcado, do início ao fim, pelo "aleluia" pascal. Convida Maria a alegrar-se precisamente porque Aquele que ela trouxe em seu ventre ressuscitou: sua alegria de Mãe está ligada à vitória de Cristo sobre a morte, e a Igreja a convida a se associar a essa alegria de Maria em cada domingo pascal.

Recursos complementares

Liturgia das Horas, antífonas marianas finaisCatecismo da Igreja Católica §2677, sobre as antífonas marianas na oração da Igreja📖 Lucas 1:28 — 'Alegra-te, cheia de graça, o Senhor é contigo'